Histórico da pia entidade

A Santa Casa de Misericórdia de Manaus não é apenas uma entidade com a sua própria história. A vida desse secular hospital faz parte da história do Amazonas, de sua gente, suas glórias e suas lutas. está ligada ao contexto de uma época em que a Europa inveja uma capital que se ergueu no meio de uma floresta tropical desconhecida e ousava desafiar o apogeu artístico do universo, quando despontavam na Itália, França e Portugal os mais famosos e renomados artistas, pintores e escultores. Manaus financiava um pouco dessa arte, importando seus intérpretes para que aqui desenvolvessem muitas de suas criatividades.

A Santa Casa nasceu ainda na Província da Barra de São José, como uma simples unidade hospitalar e com o objetivo de atender pessoas carentes, entre as quais se encontravam até os prisioneiros, indigentes e a população sem recursos. Em verdade era muito mais uma casa de caridade que um hospital.

A partir de 1870, quando era presidente da província o coronel paraense Clementino José Pereira Guimarães, foi autorizada, por lei, a construção do prédio para funcionamento do hospital, o qual foi edificado na Rua Dez de Julho, no mesmo endereço onde funcionava e, na época, o diretor das Obras Públicas do governador Clementino Guimarães era o Dr. Joaquim Leovigildo de Souza Coelho.

Dois anos mais tarde no ano de 1872, surge a Irmandade de Misericórdia, época em que também assumiu a presidência da província o Barão de São Domingos. O novo presidente transformou a Casa de Caridade em Hospital de Caridade, cujo ato foi consumado, em virtude de se apurar por meio de extensos relatórios, que o hospital não mantinha seus custos com digna austeridade.

Com o progresso da borracha, Manaus passou a ser uma capital internacional. Os anos que se seguiram a 1889 foram todos de progresso até 1910, quando houve o declínio. Nesse período, eram recebidas as mais ilustres figuras do mundo empresarial, cultural e artístico do Brasil e do exterior. A Santa Casa não atendia satisfatoriamente a todos que a procuravam com as mais diversas doenças da época.

Partiu-se para a ampliação do hospital, no ano de 1925, quando foi nomeado presidente da província o jornalista e advogado Ephygênio Ferreira de Salles e nomeado como provedor o arquiteto Aluysio de Araújo, que fez surgirem obras, ainda hoje resistindo ao tempo e ao uso.

Convém esclarecer que o prédio da Santa Casa, antes da reforma no governo de Ephygênio Ferreira de Salles, era um imóvel sem estruturas adequadas para funcionar como um hospital, transformando-se, com o bom gosto do arquiteto Aluysio de Araújo, no verdadeiro palácio arquitetônico que hoje se apresenta no centro de Manaus na Rua Dez de Julho.

Ainda hoje, o edifício da Santa Casa de Misericórdia de Manaus é um dos mais belos, representando um luxo de nossa arquitetura, com a imponência de seu salão nobre, os espaços de seu jardim, estruturas invejáveis de suas paredes, centro cirúrgico, maternidade, capela em estilo gótico, seus pátios revestidos de pisos importados, apartamentos espaçosos e de grande altura, com um pé direito acima de 6 metros, confortáveis, com uma entrada adequada, ainda hoje, para a movimentação de veículos que circulam se perturbação no estacionamento frontal. Enfim, é uma obra digna de uma grande cidade, de um grande povo". (ANTONACCIO, Gaitano. Entidades e monumentos do Amazonas - Fundação - História - Importância. 1997)

A construção do edifício da Santa Casa de Misericórdia foi autorizada pela Lei provincial n. 202, de 12 de maio de 1870. O terreno onde se encontra essa instituição pia tem o seu histórico no Livro n. 3 de Contratos, às páginas 161 a 174 e 177 a 187. Foi desapropriado em 7, 13, 14 e 17 de janeiro de 1873 aos senhores João Manoel de Souza Coelho, João de Deus Liberal Pereira da Silva, Hermenegildo de Souza Barbosa, Catarina Maria Rodrigues, Rosa Maria da Conceição, Manoel José Cardoso e Francisco Soares Raposo. O custo foi de dois mil setecentos e oitenta e cinco cruzeiros (Cr$ 2.785,00).

Informa o livro Tombo às páginas 49 que até 1900 a construção do edifício estava em quinhentos e quarenta e oito mil, duzentos e vinte e oito cruzeiros e sessenta e seis centavos (Cr$ 548.228,66). Na administração do governador Antônio Constantino Nery, levantou-se o muro da Rua Dez de Julho. O custo das obras se elevou a setecentos e sessenta e cinco mil, quatrocentos e noventa e dois cruzeiros e noventa e dois centavos (Cr$ 765.492,92). Ao ser feito o livro Tombo de 1925, o edifício estava avaliado em um milhão, trezentos mil cruzeiros (Cr$ 1.300.000,00).

O atual prédio da Santa Casa de Misericórdia foi entregue à irmandade de Misericórdia em 16 de maio de 1880, após dez anos de construção, com capacidade para 80 leitos, pelo então Presidente da província Domingos Monteiro Peixoto, Barão de São Domingos, que transformou a Casa de Caridade em Hospital de Caridade.

Reconhecida em 12 de setembro de 1938 como entidade filantrópica, a Santa Casa foi declarada de utilidade pública federal, pelo Decreto-Lei 1.276 de junho de 1962. Seu prédio é considerado patrimônio importante, tombado como patrimônio histórico do Município de Manaus, por meio da Lei n. 4.811.